A matemática voltou a dar um pequeno sopro de esperança ao Benfica. A derrota inesperada do FC Porto frente ao Casa Pia reduziu a distância das águias para o líder e reabriu — ainda que timidamente — a porta do sonho do 39.º Campeonato Nacional. Não é uma viragem radical no campeonato, mas é o suficiente para manter a chama acesa na Luz.
Depois do empate em Tondela, tudo indicava que o Benfica ficaria a 12 pontos do primeiro lugar, um cenário quase fatal mesmo para os mais otimistas. Contudo, o primeiro desaire da equipa de Francesco Farioli na Liga fez a diferença cair de dez para nove pontos. Pouco? Sim. Mas, para quem se agarra à matemática, é mais do que zero — e José Mourinho nunca escondeu que, enquanto os números permitem, não se desiste.
Para o Benfica chegar ao título, o caminho é estreito e exige perfeição. As águias teriam de vencer todos os 14 jogos que restam, fechando a temporada com 86 pontos, um registo que, por exemplo, teria sido suficiente para ser campeão na época passada. Mas isso não chega: é necessária uma conjugação quase ideal de resultados nos jogos grandes.
O cenário passa por uma vitória do Sporting no Dragão, triunfos do Benfica frente a FC Porto e Sporting, e ainda escorregadelas dos rivais diretos frente ao SC Braga. Uma autêntica cadeia de acontecimentos que teria de alinhar na perfeição para que o título voltasse à Luz.
Impossível? Não. Provável? Muito longe disso. Até porque, apesar de um impressionante registo de 35 jogos sem derrotas na Liga, o Benfica ainda não conseguiu encadear mais de três vitórias consecutivas na prova. A história também não ajuda: recuperações desta dimensão só aconteceram em casos muito específicos e com atrasos bem menores do que o atual.
Ainda assim, enquanto houver contas para fazer, Mourinho acredita. E enquanto o Benfica acreditar, o campeonato segue vivo — nem que seja apenas no papel.