O mercado de transferências de inverno fechou sem a agitação que muitos adeptos do Benfica esperavam. Apesar das dificuldades desportivas e da pressão competitiva nas provas internas e europeias, as águias optaram por uma abordagem prudente, limitando-se à contratação de apenas dois jogadores e deixando a sensação de oportunidade perdida junto da massa associativa.

O lateral/extremo Sidny, contratado por €6 milhões, e o avançado Rafa, que custou €5 milhões, foram os únicos reforços assegurados pela SAD encarnada. Um investimento total de €11 milhões, o mais baixo desde 2022, numa janela em que vários rivais reforçaram os respetivos plantéis de forma mais ambiciosa.

A expectativa era maior. José Mourinho pretendia reforços cirúrgicos, sobretudo para o ataque, as alas e o meio-campo. O Benfica tentou o empréstimo do italiano Lorenzo Lucca, mas o jogador optou pelo Nottingham Forest, alegadamente por não ter garantias de utilização regular na Luz. Também o dossiê André Luiz, do Rio Ave, acabou por cair depois da recusa de uma proposta que rondava os €12 milhões, mais bónus.

Outras opções foram analisadas, como Wesley, do Al Nassr, e o médio Stije Resink, do Groningen, mas os valores exigidos afastaram a administração encarnada, que decidiu fechar a carteira e confiar nas soluções internas. O regresso de jogadores lesionados, como Enzo Barrenechea, Richard Ríos e Dodi Lukebakio, pesou na decisão final.

No capítulo das saídas, apenas Rafael Obrador deixou o plantel, por empréstimo ao Torino, não se registando vendas de impacto. O Benfica resistiu ainda ao interesse do Club Brugge em Andreas Schjelderup, agora valorizado depois de brilhar frente ao Real Madrid, assim como manteve Prestianni, cada vez mais integrado nas opções técnicas.

A estratégia financeira adotada gerou descontentamento entre os adeptos, que esperavam um sinal mais forte de ambição num momento decisivo da época. Com a luta pelo título mais complicada e a qualificação para a próxima Liga dos Campeões longe de estar garantida, a aposta num mercado contido deixa margem para dúvidas — e aumenta a pressão sobre a equipa e a estrutura diretiva.

Com a janela fechada, o Benfica vira agora todas as atenções para o relvado. A resposta terá de surgir dentro de campo, mas o sentimento nas bancadas é claro: a decisão de travar no mercado continua a dar que falar — e a ferver a Luz.

By Paulo

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