O FC Porto voltou a demonstrar a sua capacidade para gerar receitas no mercado de transferências, registando números muito expressivos no primeiro semestre da temporada 2025/2026. De acordo com o Relatório e Contas apresentado pela SAD portista, o clube realizou um total de 12 operações que renderam cerca de 78,6 milhões de euros, traduzindo-se numa mais-valia global de 41,6 milhões.

Entre os negócios mais relevantes destaca-se a venda de Francisco Conceição à Juventus por 32 milhões de euros, naquele que foi o maior encaixe financeiro do período em análise. O extremo, formado no Dragão, confirmou o estatuto de ativo valioso e reforçou a tradição portista de potenciar talento jovem e transformá-lo em lucro significativo.

Outro movimento de grande impacto foi a transferência de Otávio Ataíde para o Paris FC por 17 milhões de euros fixos, podendo atingir os 20 milhões mediante objetivos. Além disso, os azuis e brancos garantiram ainda 15% de uma futura mais-valia, estratégia que evidencia a política financeira cautelosa da SAD, que procura manter receitas futuras mesmo após a saída dos jogadores.

Também João Mário rumou à Juventus por 12 milhões de euros, com o FC Porto a assegurar 10% de uma transferência futura, enquanto Gonçalo Borges foi vendido ao Feyenoord por 10 milhões, mantendo o clube português 15% dos direitos económicos numa eventual venda posterior. Estes detalhes demonstram a preocupação da estrutura portista em proteger os interesses financeiros a médio e longo prazo.

Além das grandes vendas, o relatório inclui outras operações de menor dimensão, mas igualmente relevantes para o equilíbrio das contas. Fran Navarro foi transferido por 2,7 milhões de euros — valor que pode ultrapassar os 6 milhões com variáveis —, mantendo o FC Porto 25% de uma futura transferência. Já Zé Pedro rendeu 2 milhões, com direito a 50% de uma venda futura, e Wendell Costa gerou 1,35 milhões, com retenção de 20% do passe.

O clube obteve ainda receitas através de empréstimos de jogadores. Danny Namaso garantiu 1 milhão de euros fixos mais 550 mil em objetivos, Iván Jaime rendeu 250 mil euros e Samuel Portugal 210 mil euros. Embora menos mediáticas, estas operações contribuem para a sustentabilidade financeira e demonstram a profundidade do plantel portista enquanto ativo económico.

Os números apresentados confirmam que o FC Porto continua a ser uma das principais referências europeias na valorização de jogadores. A capacidade de identificar talento, desenvolvê-lo e vendê-lo por valores elevados tem sido uma das marcas da gestão desportiva do clube ao longo das últimas décadas, permitindo manter competitividade mesmo em contextos financeiros exigentes.

Este desempenho no mercado surge também como sinal positivo para os adeptos, numa altura em que a SAD procura equilíbrio entre investimento desportivo e estabilidade económica. O lucro apresentado no semestre reforça a ideia de que o modelo portista continua funcional: formar, valorizar e vender, sem comprometer a ambição competitiva.

Com receitas milionárias e percentagens garantidas em futuras transferências, o Dragão mantém-se fiel à sua estratégia e volta a provar que, dentro e fora de campo, sabe jogar para ganhar.

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