As eleições de 14 de março no Sporting prometem um desfecho anunciado. Frederico Varandas caminha, salvo surpresa de última hora, para uma vitória esmagadora que pouco tem de suspense eleitoral e muito de validação do percurso feito nos últimos anos. A corrida será solitária ou, no máximo, com um concorrente a cumprir os mínimos legais para ir a votos — cenário que transforma o ato eleitoral mais numa confirmação do que numa verdadeira disputa.

Não se trata de eleições “à moda antiga”, marcadas por défices democráticos ou percentagens artificiais. O que se prevê é uma goleada sustentada no contexto desportivo, financeiro e estrutural do clube. Em oito anos de liderança, Varandas conseguiu algo que parecia improvável: devolver o Sporting à normalidade vencedora. No futebol sénior masculino, os leões conquistaram praticamente tantos campeonatos como nos 40 anos anteriores a 2018, quebrando um longo ciclo de instabilidade e frustração.

O contraste com o passado recente é evidente. Em 2018, após a crise profunda que se seguiu à invasão da Academia e à saída em massa de jogadores, Varandas venceu com pouco mais de 42% dos votos, num universo de seis candidatos. Em 2022, já embalado pelo título de 2020/21, alcançou quase 86%. Agora, o cenário aponta para números ainda mais expressivos, não por ausência de democracia, mas por excesso de obra feita.

Ainda assim, fica a sensação de que o Sporting merecia uma concorrência mais robusta. Não apenas para equilibrar o ato eleitoral, mas também para desafiar o próprio Varandas, obrigando-o a defender ideias, estratégias e visão num confronto de projetos. Eleições com candidato único ou simbólico nunca são ideais. Mas a realidade é o que é: a oposição chega frágil, tardia e sem peso suficiente para beliscar o favoritismo do atual presidente.

O projeto Varandas explica esta tranquilidade eleitoral. Financeiramente, o clube apresenta uma solidez rara na sua história recente. Estruturalmente, o chamado “Projeto 2030” aponta para a modernização do Estádio José Alvalade e da área envolvente, alinhando as infraestruturas com a dimensão do clube. Desportivamente, a estabilidade tornou-se palavra-chave desde 2020, após um primeiro mandato atribulado.

A aposta continuada em treinadores, primeiro com Rúben Amorim e agora com Rui Borges, as aquisições cirúrgicas e o investimento sustentado criaram uma base competitiva sólida. As renovações de peças-chave como Pedro Gonçalves, Gonçalo Inácio, Diomande e Francisco Trincão são sinais claros de continuidade e planeamento, não de improviso.

Varandas entra nestas eleições como entra uma equipa que chega à segunda mão com vantagem confortável: sem necessidade de correr riscos, confiante no trabalho apresentado. O clássico de segunda-feira poderá ser decisivo para o sonho do tricampeonato, mas pouco ou nada pesará no ato eleitoral. A goleada parece inevitável — menos por falta de democracia e mais por falta de argumentos do outro lado.

By Paulo

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