Orkun Kokçu falou abertamente sobre a sua passagem pelo Benfica e revelou o lado mais difícil da experiência na Luz. O médio turco, atualmente no Besiktas por empréstimo com compra obrigatória, explicou que os dois anos em Portugal ficaram marcados por solidão, dificuldades pessoais e uma adaptação que nunca chegou a ser plena.
Em entrevista ao canal turco TRT Spor, Kokçu recordou o episódio de tensão vivido com Bruno Lage no verão passado, durante o Mundial de Clubes, mas sublinhou que os problemas iam muito além do futebol. «Passei bons momentos no Benfica, mas enfrentei dificuldades na minha vida pessoal. Não consegui encontrar o meu ritmo», começou por explicar.
O internacional turco admitiu que a distância da família e do seu círculo próximo teve um peso determinante. «Nos Países Baixos, estava confortável, com a minha família e amigos. Em Portugal, estava sozinho. A minha família vinha ver os meus jogos, mas passei dois anos praticamente em casa. Não sou uma pessoa que se integra facilmente fora do futebol. Foram dois anos solitários», confessou.
Essa realidade levou-o a ponderar seriamente a saída ainda durante a sua estadia em Lisboa. «Falava muitas vezes com o meu pai e dizia-lhe que queria ser transferido. O mais importante para mim é ser feliz», revelou, assumindo que a componente emocional foi decisiva na escolha do próximo passo da carreira.
Quando surgiu a possibilidade de rumar ao Besiktas, Kokçu não teve dúvidas. «Era um sonho de infância jogar no Besiktas. Não penso apenas em construir uma carreira, porque no fim tudo é esquecido. Queria ir para um lugar onde pudesse ser feliz», afirmou, garantindo estar satisfeito com a decisão tomada.
Apesar de reconhecer que o seu rendimento desportivo ainda pode crescer, o médio assegura estar em paz consigo próprio. «Estou genuinamente feliz no Besiktas. Às vezes dizem que estou infeliz, mas não é verdade. Quando os resultados e as exibições melhorarem, serei ainda mais feliz», concluiu.
As declarações de Kokçu ajudam a explicar uma saída que surpreendeu muitos adeptos encarnados e lançam nova luz sobre um percurso no Benfica que, apesar das expectativas elevadas, ficou aquém do desejado — não apenas dentro das quatro linhas, mas também fora delas.