O Benfica vive um dos momentos mais delicados da época e José Mourinho já não esconde a realidade: nesta fase, é à matemática que o treinador se agarra para manter viva a esperança. Com as águias a dez pontos do FC Porto e a seis do Sporting, o discurso do técnico português passou da ambição declarada à gestão de expectativas, num cenário que começa a gerar inquietação entre adeptos e comentadores.

Após mais uma jornada em que o Benfica não conseguiu aproximar-se da liderança, Mourinho optou por um discurso frio e racional. O treinador sublinhou que ainda há muitos pontos em disputa e que, enquanto a matemática permitir, a equipa continuará a lutar. No entanto, esta abordagem, embora lógica, soa a resignação para uma massa associativa habituada a discursos mais confiantes e dominadores.

A distância pontual para os rivais diretos é cada vez mais difícil de ignorar. O FC Porto mantém um ritmo quase perfeito no campeonato, enquanto o Sporting segue consistente na perseguição. Neste contexto, o Benfica vê-se empurrado para uma luta que já não depende apenas do seu mérito, mas também de escorregadelas alheias — algo que raramente agrada aos adeptos da Luz.

Internamente, Mourinho procura proteger o grupo, apelando à união e ao foco, tentando evitar que o ambiente se torne ainda mais pesado. O treinador sabe que janeiro será um mês decisivo, com jogos determinantes para o futuro da época, tanto no campeonato como nas competições a eliminar. Ainda assim, o discurso público começa a revelar um Benfica mais defensivo emocionalmente, algo pouco habitual na era recente do clube.

Nas bancadas e nas redes sociais, cresce o sentimento de desconfiança. Muitos benfiquistas questionam se a matemática será suficiente para inverter uma tendência que parece instalada, enquanto outros defendem que a experiência e o historial vencedor de Mourinho podem ser decisivos numa eventual recuperação.

Para já, a Luz vive entre a esperança fria dos números e a fé emocional que começa a esmorecer. Mourinho resiste, agarra-se ao que pode, mas sabe que, mais cedo ou mais tarde, a matemática terá de ser acompanhada por vitórias convincentes — caso contrário, nem os números conseguirão segurar a crença benfiquista.

By Paulo

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