No banco, os números são claros: poucos minutos para os suplentes, substituições contidas e uma gestão quase cirúrgica por parte de José Mourinho. Mas por trás dessa aparente travagem está uma realidade que começa a ganhar forma — o Benfica está a preparar uma explosão competitiva para a reta decisiva da época.
Desde que assumiu o comando técnico, Mourinho tem sido conservador nas mexidas. Entre os “quatro grandes”, é quem menos recorre ao banco. Enquanto rivais esgotam as cinco substituições quase por sistema, o treinador encarnado prefere manter a espinha dorsal em campo, confiando na estabilidade e na experiência.
Banco curto… ou estratégia calculada?
Durante largos meses, o técnico teve razões para essa postura. Lesões, juventude excessiva nas opções e um plantel que não foi totalmente moldado à sua imagem limitaram a ousadia. Houve jogos em que Mourinho olhou para trás e viu mais promessa do que solução imediata.
Mas o cenário está a mudar.
Com regressos importantes e reforços disponíveis, o leque de escolhas alarga-se. O banco deixa de ser apenas suporte e passa a ser arma. A concorrência interna cresce, a intensidade nos treinos sobe e a margem para mexer no jogo aumenta.
O momento da viragem?
O dado curioso é que, apesar da menor utilização dos suplentes, o Benfica mantém-se competitivo nas várias frentes. Isso mostra que a base titular tem sido sólida — mas também levanta a questão: o que acontecerá quando Mourinho decidir soltar o travão?
Se o treinador começar a rodar mais, a refrescar setores e a explorar a profundidade do plantel, as águias podem ganhar uma dimensão ainda mais imprevisível. Num campeonato decidido em detalhes e numa Europa onde cada erro custa caro, ter soluções no banco pode ser o fator diferenciador.
Mourinho tem fama de estratega paciente. E talvez esteja apenas à espera do momento certo para acelerar.
O novo Benfica está montado. Falta saber quando o motor vai rugir