Stephen Eustáquio despediu-se do FC Porto, mas fê-lo com palavras que soam mais a continuidade do que a rutura. Emprestado ao Los Angeles FC, da MLS, com opção de compra fixada em 7,25 milhões de euros, o médio luso-canadiano encerra — pelo menos por agora — um ciclo de quase quatro anos no Dragão, deixando uma mensagem carregada de simbolismo, memória e ligação emocional ao clube.
Chegado ao FC Porto em 2022, proveniente do Paços de Ferreira, Eustáquio rapidamente conquistou espaço no balneário e no relvado. Foram mais de 150 jogos de azul e branco, títulos nacionais, Taças de Portugal consecutivas, Supertaças e várias noites europeias marcantes, algumas delas com o seu nome inscrito na história — como o golo mil no Estádio do Dragão ou o golo decisivo numa final da Taça em Leiria.
A sua importância ultrapassou os números. Internacional pelo Canadá, Eustáquio integrou o grupo de capitães do plantel às ordens de Francesco Farioli, estatuto reservado a quem alia rendimento, compromisso e liderança. Mesmo nos momentos menos felizes, o médio nunca escondeu a ligação profunda ao clube, à cidade e à região.
Na mensagem de despedida, partilhada nas redes sociais, o tom foi claro: não se trata de um adeus definitivo. “Há ligações que não precisam de assinatura e são para a vida”, escreveu, sublinhando que, apesar das dificuldades e derrotas, nunca deixou de sentir o apoio do clube e dos adeptos. O “até já, dragões” com que encerrou o texto deixa a porta aberta a um possível regresso à Invicta.
A mudança para a MLS surge num momento em que Eustáquio procura maior regularidade competitiva, num projeto que lhe permita assumir protagonismo e continuar a crescer. Do lado do FC Porto, fica a certeza de que sai um jogador respeitado, identificado com o emblema e reconhecido pelos adeptos.
Não é uma despedida fechada. É uma promessa em aberto. Porque, no Dragão, há jogadores que partem — mas nunca deixam verdadeiramente de pertencer.