Nemanja Radonjic voltou a estar no centro da polémica no futebol sérvio. Aos 29 anos, o extremo regressou ao Estrela Vermelha com a expectativa de relançar a carreira, mas as exibições discretas e os números modestos voltaram a colocá-lo sob fogo cerrado da crítica. Desta vez, foi Zdravko Kuzmanović, antigo internacional sérvio, a lançar palavras duras que estão a dar que falar.
No podcast SS Calcio, Kuzmanović não poupou o ex-Benfica, questionando frontalmente o impacto real de Radonjic ao longo da última década. Apesar do reconhecimento do talento natural, o antigo médio foi claro ao apontar o que considera serem as grandes falhas do jogador: falta de consistência, disciplina e evolução competitiva. Para o comentador, o percurso do extremo por clubes como Marselha, Benfica, Torino, Hertha e Maiorca não deixou marcas suficientes que justifiquem expectativas elevadas.
«O talento, por si só, não chega», sublinhou Kuzmanović, reforçando que o futebol de alto nível exige muito mais do que explosão ou qualidade técnica ocasional. Na sua análise, Radonjic não conseguiu transformar potencial em rendimento, nem sequer no Estrela Vermelha, clube onde regressou para recuperar protagonismo, mas onde soma apenas dois golos em 18 jogos esta época.
As críticas subiram de tom quando Kuzmanović sugeriu que o ciclo europeu de Radonjic poderá estar perto do fim. Para o antigo internacional, a idade já não permite grandes margens de progressão e insistir numa narrativa de talento por cumprir é viver de ilusões. Daí a frase que incendiou o debate: a possibilidade de uma mudança para a Arábia Saudita como opção mais realista, não tanto por ambição desportiva, mas por retorno financeiro.
A passagem de Radonjic pelo Benfica, em 2021/2022, também não escapou ao contexto da análise. Na Luz, o sérvio nunca se afirmou como peça decisiva, acabando por regressar ao Marselha sem deixar saudades marcantes. Um padrão que, segundo os críticos, se repetiu em várias paragens da sua carreira.
Apesar do tom severo, Kuzmanović deixou uma nota de lamento, mais do que de ataque pessoal. Para muitos no futebol sérvio, Radonjic simboliza o exemplo clássico de um jogador com enormes capacidades naturais que nunca conseguiu alinhar talento com exigência diária. O futuro permanece em aberto, mas o consenso crítico é claro: o tempo para promessas terminou, e as próximas decisões poderão definir os últimos capítulos de uma carreira que prometeu mais do que entregou.