A chegada de Rafa ao SL Benfica não trouxe apenas a promessa de golos e assistências. Pelo contrário, a entrada do avançado no plantel acabou por criar uma nova dor de cabeça para José Mourinho, que agora precisa de reconfigurar a dinâmica da equipa que vinha mostrando consistência na última fase da Liga dos Campeões e no campeonato nacional.

No jogo frente ao Real Madrid, muito se falou do episódio envolvendo Vinícius Júnior, mas pouco sobre o desempenho coletivo do Benfica. A equipa, que tinha apresentado soluções interessantes na primeira mão da fase de Liga frente aos espanhóis, desta vez mostrou dificuldades em desamarrar a pressão imposta pelo adversário. Arbeloa, treinador adjunto espanhol, ajustou bem a estratégia e fechou o espaço para o ataque encarnado, que sofreu para criar oportunidades claras.

Rafa, recém-regressado ao clube, foi titular à frente de Sudakov, um jogador que vinha ganhando ritmo e confiança. O problema é que a eficácia do português depende fortemente da sua condição física, que ainda está longe do ideal após semanas sem competir regularmente e o período conturbado no Besiktas. Na partida da quarta-feira, o avançado passou praticamente despercebido, registando nota 3 na avaliação da A BOLA, evidenciando que o encaixe imediato na equipa não foi conseguido.

O contraste com a primeira passagem de Rafa pelo Benfica é enorme. Na época de Roger Schmidt, o avançado tinha sido um especialista da Champions, carregando a equipa em momentos decisivos e assumindo responsabilidades nos grandes jogos. Agora, embora mantenha a capacidade individual para somar golos e assistências, o momento da sua integração não coincide com o que a equipa necessita para manter clareza e organização ofensiva.

A saída de Sudakov do onze titular também provocou mudanças na estrutura tática da equipa. Quando ele atuava atrás de Pavlidis, o Benfica conseguia maior criatividade e fluidez, encostando o Real Madrid às cordas no último encontro. Com Rafa, essa clareza no último terço diminuiu. A impulsividade e intensidade do jogador, embora positivas em contextos de contra-ataque, obrigam a equipa a adaptar-se e, por vezes, a perder coordenação coletiva, algo que Mourinho agora precisa de equilibrar rapidamente.

Para José Mourinho, a questão não é duvidar do talento de Rafa, mas sim integrar o jogador de forma a não prejudicar o rendimento global do grupo. As semanas de experiência do técnico com a equipa principal demonstraram que fórmulas táticas consistentes são cruciais para enfrentar adversários de alto nível. E é exatamente neste ponto que o regresso de Rafa obriga a repensar combinações, rotinas e movimentos ofensivos.

Se, por um lado, Rafa garante qualidade técnica e potencial de decisão em lances isolados, por outro, a equipa perde momentaneamente o equilíbrio que lhe permitia pressionar e finalizar de forma coletiva. Mourinho terá de gerir não apenas a condição física do avançado, mas também o impacto psicológico e a hierarquia dentro do grupo, garantindo que os jovens talentos e os titulares experientes mantenham a confiança e a coesão.

Este cenário coloca uma nova camada de complexidade na gestão do plantel encarnado. A adaptação de Rafa precisa ser gradual, equilibrando a sua energia individual com a dinâmica coletiva que permitiu ao Benfica apresentar um futebol mais organizado e eficaz na fase inicial da Liga dos Campeões. Caso contrário, a ambição de lutar pelo título nacional e avançar na competição europeia pode enfrentar obstáculos inesperados.

Em resumo, a chegada de Rafa trouxe qualidade, mas também levantou questões sobre o encaixe imediato e a reorganização da equipa. José Mourinho terá de encontrar rapidamente soluções para que a impulsividade do avançado não comprometa a estabilidade tática, mantendo a equipa competitiva e com capacidade de decisão nos momentos decisivos. A dor de cabeça é real, mas também é um desafio que pode, a médio prazo, gerar frutos se bem gerido.

A integração de Rafa no Benfica será um dos fatores-chave para os próximos jogos, não apenas pelos golos que poderá marcar, mas pela forma como a equipa conseguirá absorver as suas características sem perder identidade e fluidez. Mourinho terá de equilibrar talento individual com coesão coletiva, numa fase decisiva da temporada, onde cada ajuste pode determinar o sucesso ou insucesso da equipa.

Quer gostem ou não os adeptos, a presença de Rafa obriga a reflexão estratégica e a capacidade de adaptação da equipa e do treinador. E se bem gerida, esta dor de cabeça poderá transformar-se num ativo de peso para a reta final da época.

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